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Praça Santo Antônio, 26, Vera Cruz - Caçapava, SP

(12) 3652-6825 / 3221-7845

Religiosidade Caçapavense
Foto aereaFundação da Capela Nossa Senhora da Ajuda

O arraial denominado Caçapava Velha constitui a Célula Mater da organização social, política e religiosa.

Ali, naquele rincão do chão paulista, atravessado pela estrada geral, que naquela época se estendia entre São Paulo e a região de Taubaté, seguindo a margem direita do Rio Paraíba, na segunda metade do século XVII, muitos paulistas de São Paulo de Paraitinga e Santana de Mogi das Cruzes, acompanhados de suas famílias e de índios administrados, vieram se fixar, ocupando sesmarias e datas de terras, distribuídas pelos donatários da Capitania de São Vicente, por intermédio do Capitão Jacques Félix – o pioneiro da penetração e do desbravamento desta região. Eram, em regra, sertanistas destemerosos e audazes, visando ao apresamento de índios e à conquista de novos territórios.

Entre esses audazes pioneiros houve um que se apegou à gleba escolhida, com o propósito de cultivar e povoar. Foi o paulista Jorge Dias Velho, descendente de Garcia Rodrigues e de Isabel Velho, que foram dos primeiros povoadores do Campo de Piratininga. Já casado com Sebastiana de Unhate, e com filhos, aqui afazendo-se, criando os filhos e demonstrando carinhoso interesse pelo desenvolvimento da região.

Bom católico, que era, cogitou, e pôs em prática o seu propósito de erigir em sua fazenda uma Capela, onde se praticasse o culto cristão e servisse de centro de irradiação da fé, sentimento dos paulistas daqueles tempos.

Assim é que, em 8 de novembro de 1705, endereçou ao Bispo Diocesano do Rio de Janeiro, que era, então, Dom Frei Francisco de São Jerônimo, solicitando por bem benzer o lugar para uma Capela em vocação à Nossa Senhora da Ajuda, a qual estava presentemente acabada, com os ornamentos necessários, as quais a corte mandou vir, como as imagens.

Solicitado conceder licença para que o reverendo padre João de Souza da Fonseca possa celebrar o santo sacrifício da missa, como também benzer parte do cemitério, por ser de muita precisão.

Igreja de CPV Velha

O Bispo Diocesano efetuou o despacho, dando provisão emitida em 13 de fevereiro de 1706, incluindo que não se enterrará, no cemitério, sem licença do vigário de Taubaté.

Feito o benzimento da Igreja e do cemitério, o Capitão Jorge Dias Velho, já então viúvo, pois sua mulher Sebastiana de Unhate havia falecido em 1702, por escritura pública de 11 demaio de 1706, com a presença do visitador geral – padre João de Souza da Fonseca, instituiu, mediante doação, um patrimônio inalienável de três mil cruzados, para sustentação da Capela, passando a ser seu protetor.

Regularizado o protetorado da Capela, o Capitão Jorge Dias Velho obteve do Bispo do Rio de Janeiro a licença para celebração de missa na Capela de Nossa Senhora da Ajuda.

Em 10 de maio de 1706 o escrivão Antonio da Cunha Garcia fez vistoria na Capela, inventariando os objetos de culto e paramentada com todo o necessário.

Ao redor dessa Capela foram nascendo as habitações que formaram o arraial. Por muitos anos a Capela foi administrada por seu protetor, servindo de Capelão o seu filho Padre Manoel Rodrigues Velho, até que, em novembro de 1723, o visitador geral, vigário da vara de Taubaté, Padre Antonio de Lima Fagundes, em visita à Capela, observou várias irregularidades, no tocante à administração do patrimônio da Padroeira.

Atribuiu isso à idade avançada do protetor – Jorge Dias Velho, que já teria, nessa ocasião, cerca de noventa anos de idade. O visitador aconselhou-o, então, a transferir a protetoria para seu filho Padre Manoel Rodrigues Velho, o que foi feito em 11 de fevereiro de 1724.

Por esta época (1724) já o arraial de “Cassapaba”, como bairro do Município de Taubaté, tomava grande incremento, como centro religioso. Para este aglomerado humano, confluíram moradores de diversas paragens da região.

Tal foi o progresso que já apresentava, nos começos do século XIX, o Governo Real, então exercido pelo Príncipe Regente D. João, baixou o Alvará de 18 de março de 1813, fundando uma freguesia com sede na Capela referida, tornando-a adstrita às autoridades administrativas do Conselho Municipal de Taubaté, freguesia para a qual foi adotado o nome da Padroeira – Nossa Senhora da Ajuda de Caçapava. Passou a pertencer ao Bispado de São Paulo, criado por Carta Régia de 22 de abril de 1745, aprovado pelo Santo Padre Benedito XIV.

Quando foi fundada a Capela de Nossa Senhora da Ajuda, em fins de 1705, na paragem denominada “Cassapaba”, dentro dos limites do Município, tinha por sede a Vila de São Francisco das Chagas de Taubaté. Por esse tempo eram somente três as Vilas existentes no Vale do Paraíba: Taubaté, Jacareí e Guaratinguetá.

A Lei de 15 de outubro de 1827, que reformou a organização judicial, que vinha da fase colonial, criou para cada freguesia, que passou também a ser sede de distrito, um Juiz de Paz e um Suplente. Incumbia-lhe, a esse Juiz de Paz, conciliar as partes, julgar pequenas demandas, assim como tomar providências de caráter policial.

A contar de 1833, por força do disposto do Código Criminal do Império (Lei de 29 de outubro de 1832), passaram as freguesias a ser denominadas “Distritos de Paz” – que seriam marcados pelas Câmaras Municipais, e os juízes de paz seriam em número de quatro, com quatro suplentes.

Na sede de cada freguesia havia uma Junta Qualificadora de votantes, constituída do Juiz de Paz mais votado e quatro eleitores de Paróquias.
Durante mais de cem anos a Capela fundada por Jorge Dias Velho permaneceu esquecida das autoridades eclesiásticas, apesar do progresso trazido para a região pela abertura de lavoura de café, que, desde os fins do século XVIII, se estenderam pelas terras altas do Vale do Paraíba.

Já no começo do século XIX exportava mais de cem mil arrobas de café.
Esse desenvolvimento agrícola atraiu naturalmente a atenção das autoridades civis e eclesiásticas e daí a criação da freguesia e do distrito. Passou então o povo a ter, mais próximo de seus lares, a sede da Paróquia e um Pároco, tornando-se um centro de propagação da fé e da civilização.

Ao mesmo tempo que nascia e se desenvolvia o povoado da Capela Nova, os habitantes de Caçapava Velha se empenhavam pela reconstrução de sua Matriz, que se achava em estado ruinoso. As obras tiveram início em 1845.
Um exame dos anais da Câmara Municipal de Taubaté no que tange às atividades administrativas e religiosas concernentes à freguesia de Caçapava, no período que vai de 1813 a 1850, reinava um clima de intolerância política, não só nos meios profanos, como também em assuntos relativos à Paróquia.

Qualquer medida determinada pela administração municipal, eram pretextos para exacerbações de ânimos, por parte do que se julgavam prejudicados; relativamente aos negócios da Igreja Matriz, os vigários viviam às turras com todos. Essas divergências que já vinham de longe propiciaram a fundação de um novo povoado, por uma das correntes da oposição. O progresso de um novo aglomerado humano tornou-se um dos fatores da decadência primitiva povoação que, em poucos anos, perdeu a prerrogativa de sede da freguesia, que vinha desfrutando desde 1813.

Transferido, por força da Lei Provincial n º 1, de 3 de maio de 1850, a sede da freguesia e do distrito para a Capela Nova, ainda mais acentuou a decadência do burgo de Jorge Dias Velho.

Capela de São João Batista

Estava o partido conservador dominando a situação política do país em 1842. Em Minas Gerais e em São Paulo, deflagrou a insurreição. Também no Vale do Paraíba eclodiram focos de rebelião em Areias e Silveiras. Após 20 de junho de 1842, o General Caxias, passando por Sorocaba, comandou as forças expedicionárias a fim de combater os focos de rebeldia de Areias e Silveiras.

A 12 de julho as forças imperiais, sob o comando do Coronel Manoel Antonio da Silva, destroçaram, em combate as forças rebeldes de Areias e Silveiras.

Extinta a rebelião na Província de São Paulo, de Silveiras partiu Caxias, em 25 de julho de 1842, para Minas Gerais.

Quando as forças de Caxias, em 1842, demandavam a região de Silveiras, estiveram acampadas num sítio denominado “Fazenda Velha”, que não é senão o lugar onde se tornou freguesia, depois Vila e finalmente a Cidade de Caçapava.

Logo após a passagem das mencionadas tropas imperiais, moradores da redondeza fizeram, à margem esquerda da estrada real, em terrenos da “Fazenda Velha”, uma pequena Capela de pau a pique, sendo que o proprietário dessa gleba era o Coronel João Dias da Cruz Guimarães, residente na Vila de Jacareí.

Como em todos os aglomerados humanos da Província de São Paulo, também na freguesia de Caçapava Velha os acontecimentos de Sorocaba e de Silveiras provocaram grande efervescência política. Como é natural, havia ali, ainda que um número pouco considerável, liberais e conservadores.

Em conseqüência das referidas lutas vários elementos liberais, acompanhados de outras pessoas sem cor partidária, confluíram para o local onde desde de 1842 se iniciaram a feitura de uma Capela, à margem esquerda da estrada real de São Paulo a Taubaté.

Igreja Matriz

Em 1844 já nesse local, com consentimento do proprietário da fazenda, se fixaram, fazendo suas moradas, Bento Pereira da Mota e João Ramos da Silva. Essas primeiras habitações foram levantadas à direita da Capela, onde se venerava São João Batista, em redor da qual foi roçado o mato, formando-se uma esplanada a cavaleiros do ribeirão que atravessava a estrada real.

O Coronel João Dias da Cruz Guimarães, logo que começou a construção da Capela, fez a doação de cem braças de terreno para formação do patrimônio de São João Batista. Em redor dela foi se formando um aglomerado humano. Foi tal o incremento que tomou o arraial, que os seus moradores se dirigiram ao Bispo Diocesano de São Paulo, pedindo que a sede da freguesia de Nossa Senhora da Ajuda, que era na Igreja de Caçapava Velha, fosse transferida para a Capela Nova.

O vigário da Paróquia de Caçapava Velha, que era então, o padre Higino Rodrigues de Alvarenga, promoveu entre os seus paroquianos um abaixo assinado, contrariando o pedido dos moradores do novo arraial, em que se erigia a Capela Nova.

O Coronel João Dias da Cruz Guimarães e sua mulher Dona Maria Carolina da Conceição, eram os proprietários do imóvel rural denominado “Fazenda Velha”.

Uma área de terreno doado verbalmente para a formação do patrimônio de São João Batista, orago da Capela desde 1842, o mencionado casal, por escritura pública lavrada nas notas do Tabelião José Lemes da Silva Ramalho, do termo de Jacareí, em 16 de abril de 1845, confirmou essa doação.
Uma certidão desta escritura foi extraída em 11 de março de 1873 e transcrita no livro de inventário e registro de títulos da Paróquia de Nossa Senhora da Ajuda de Caçapava, livro este aberto e rubricado, em 1904, pelo Cônego Antonio Pereira Reimão, Vigário Geral e Provisor do Bispado de São Paulo.
Desde de 1850 a Capela de São João passou a ser a Igreja-Sede da Paróquia de Nossa Senhora da Ajuda.

Em 1874 é que se providenciou no sentido de se definir a área do patrimônio da Capela de São João Batista. A área dos terrenos do patrimônio não ultrapassava a medida de 48.400 metros quadrados. Por muitos anos prevaleceu essa medição.

O aglomerado humano que criou-se em redor da Capela Nova veio propiciar condições de progresso à comuna que se formava, de um modo a centralizar as atividades sociais e religiosas dos habitantes da região. A posição geográfica era excelente: altitude média de 600 metros acima do nível do mar, a menos de 3 quilômetros do caudaloso e notável Rio Paraíba e rodeado de correntes de água.

Feita a primitiva Capela, coincidindo uma de suas faces com a estrada real (atual Rua Marques do Herval) de São Paulo à Corte. Por essa estrada, se estendeu a primeira rua, que veio a se chamar “Direita”.

Tais eram as condições de vitalidade do novo núcleo urbano que, em poucos anos, os seus iniciadores conseguiram obter dos poderes governamentais da província a transferência da sede da freguesia, do arraial de Caçapava Velha para a nova povoação, passando a Capela de São João Batista a ser a Matriz da Paróquia de Nossa Senhora da Ajuda. Nesse sentido foi promulgada a Lei Provincial n º 1, de 3 de maio de 1850.

Com a transferência da sede da freguesia e do distrito para o novo povoado, não só o fiscal da Câmara Municipal, como o coletor de rendas do Município de Taubaté, passaram a ter sua residência na nova sede.
Aos 9 de abril de 1853, o vereador caçapavense Antonio Feliciano de Barros requereu que todo e qualquer rendimento a ser arrecadado na freguesia de Caçapava fosse aplicado na continuação das obras da Igreja Matriz.

Exercia as funções de vigário o Padre Barnabé José Teixeira de Andrade na Nova Capela de São João Batista, logo que passou a ser Matriz da Paróquia.

O arraial que se formou em poucos anos, em redor da Capela de São João Batista, apresentou-se consideravelmente desenvolvido, tendo já pároco, juízes de paz, sub-delegado de polícia e fiscal da Câmara Municipal, movimentaram-se as pessoas de maior destaque, residentes em redor da nova Matriz, no sentido da criação de uma célula administrativa e política autônoma, separada do Município de Taubaté. Tendo todos os requisitos necessários à formação de um município distinto, pois, em seu âmbito já existiam vários pequenos povoados, ostentando já apreciável progresso em suas lavouras, pois exportava anualmente mais de 180.000 arrobas de café, além de outros produtos, como sejam cereais e aguardentes de cana.

Em 1865 já existiam os pátios da Matriz, de São Benedito, de Santa Cruz e de São Roque.

Quando da criação da Vila, em 14 de abril de 1855 – Lei Provincial n º 20, exercia o cargo de vigário o Padre Luiz Antonio de Alvarenga. Foi substituído, em 7 de novembro de 1856, pelo Padre Álvares de Oliveira Cruz, que se manteve no lugar até substituído, em 1861 (29 de julho), pelo Padre Joaquim Pereira de Barros.

Foi sucessor deste o Padre Bento Antonio de Souza e Almeida, que tomou posse,como vigário encomendado, em 28 de setembro de 1862, permanecendo neste cargo até 1865. Este sacerdote sofreu grande perseguição movida por espírito de reles politicagem local. O procedimento do Padre Bento Antonio levou a Câmara Municipal a representar ao Bispo Diocesano, em 29 de abril de 1865, no sentido de não ser ele reintegrado no cargo de vigário, de que fora afastado naquela ano. Em 1869 exerceu o paroquiato de Santa Cruz dos Mendes, na Província do Rio de Janeiro. Em ato de 14 de agosto de 1877, foi galardoado com honras de Cônego da Catedral da Capela Imperial.

Em 10 de julho de 1865, o Padre João Alves Coelho Guimarães assumiu as funções de vigário de Caçapava, onde fixara residência. Aqui permaneceu até 1867, quando foi substituído, em 30 de junho, pelo Padre Luiz Colângelo.
O Padre Francisco Marcondes do Amaral Rodovalho assumiu o cargo de vigário em 1 º de novembro de 1868 e nele permaneceu até falecer.

No tempo em que era vigário da Paróquia o Padre Bento Antonio de Souza e Almeida fundou a Irmandade do Santíssimo Sacramento, cuja instalação se deu em 26 de outubro de 1862. Levado por seu caráter impetuoso e intolerante, o Padre Bento causou muitas desarmonias na Paróquia, principalmente quando se organizou a Irmandade do Santíssimo.

Igreja N S ESPERANCA

Essa luta resultou na exoneração do pároco. Quando o Padre Francisco Marcondes do Amaral Rodovalho aqui aportou, lamentável era a situação material da Igreja Matriz e das Capelas na cidade. Modesta e humilde, a Igreja Matriz não tinha acompanhado o progresso que a criação da cidade e a inauguração da estrada de ferro proporcionaram.

Depois das missões de Frei Caetano Messina, o ânimo do povo tornou novo alento e o zeloso vigário encontrou eco para suas pregações em favor da reconstrução e aumento da velha Matriz. Não cogitou de executar, por ser inoportuno, o grandioso plano gizado pelo incansável e abnegado missionário.

Chamado de Padre Chiquinho, com poucos recursos conseguiu fazer reformas substanciais na Matriz. Ampliando-a e embelezando-a na medida do possível, deixou, ao morrer, Caçapava com um templo modesto, pobre, mas suficiente para as necessidades do culto, naquela época. Manteve sempre, no âmbito religioso, a harmonia e a paz entre os seus paroquianos.

Em princípio de maio de 1876, esteve em Caçapava o grande missionário Frei Caetano Messina. O Bispo Diocesano de São Paulo Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, valendo-se da presença da presença em São Paulo do Frei Caetano Messina, prefeito comissário geral dos missionários capuchinhos, deu-lhe a incumbência de realizar missões nesta região, a começar por Caçapava. O grande missionário cogitou, também, de melhorar as condições materiais da Igreja. Diante de um templo de precária construção, o missionário valeu-se do entusiasmo com que o povo ocorreu às suas pregações e meteu mãos à obra. Ouvira a opinião do engenheiro então residente em Caçapava – o Dr. Martiniano da Fonseca Reis Brandão – e este, como profissional, aconselhara que se construísse uma nova Igreja, pois a velha era irreparável e se prontificara a fazer uma planta.

Durante o mês que o Frei Caetano de Messina esteve em Caçapava chegou a ser construído os alicerces que pareciam destinar-se à construção de uma Catedral.

Ao ser lançada a primeira pedra dos alicerces, foi lavrada uma ata, em 25 de maio de 1876.

Após a partida do Frei Caetano de Messina, o grande italiano, com espírito realista e conhecedor das condições econômicas dos seus paroquianos, o Padre Chiquinho pôs de lado qualquer plano irrealizável, e cuidou de melhorar a velha Matriz, que aliás não era velha, pois não tinha mais do que 25 anos de existência.

No ano seguinte ao das missões de Frei Caetano, o Padre Chiquinho angariou donativos e meteu mãos à obra para restaurar, remodelar a Igreja.

Dando início às obras, conforme comunicou à Câmara Municipal, em ofício de 10 de setembro de 1877, transferiu a sede da Paróquia para a Capela de São Benedito que, até 1883, serviu de Matriz. O saudoso Padre Chiquinho ficou durante vinte e sete anos na Paróquia e muito contribuiu para a estabilidade e prestígio das instituições civis. Nos últimos anos de seu paroquiato que mandou proceder a reforma da Igreja de São Benedito. Patrocinou a ereção de várias Capelas na zona rural.

Após falecimento do Padre Chiquinho, em fevereiro de 1897, exerceu o vigariato, por algum tempo, o Padre Antônio Firmino Vieira de Araújo, que para aqui veio em 1897. Nos anos de 1897 a 1898, foi o vigário o Padre Antônio Moreira de Souza e Almeida, irmão mais moço do Cônego Bento Antônio de Souza Almeida (vigário de 1862 a 1865).

De 1899 a 1910, a Paróquia foi dirigida pelo Padre Pedro Gravina. Removido o Padre Pedro Gravina, esteve cerca de dois anos vago o lugar de vigário. Em 1912 passou a ser vigário o jovem e talentoso sacerdote Ataliba Pereira, filho desta terra, o qual à testa da Paróquia esteve até a morte, ocorrida em junho de 1917. Ao tempo em que era vigário o Padre Ataliba Pereira, foi pró-pároco o Padre José Gonçalves Fraga. Novamente veio a ser vigário da Paróquia o Padre Antônio Firmino Vieira de Araújo, que aqui permaneceu de 1917 a 1920.

As Capelas

Em 1918 ainda existiam, na cidade, em sua antigüidade venerável, as Capelas de São Benedito, de São Roque e de Santa Cruz, esta logo demolida, para dar lugar à remodelação da praça.

Na zona rural existiam Capelas nos bairros da Boa Vista, Santa Luzia (ou Grama), Piedade, Bonfim, Germana, Sapé, Campo Grande, Tijuco Preto, Borda da Mata, Marambaia. No arraial de Caçapava Velha continuava a estadear a sua veneranda ancianidade o modesto templo de Jorge Dias Velho, e, à sombra dele, a humildade da Capelinha de São Benedito

Nos idos de 1919, era vigário na Paróquia de Caçapava o reverendo Padre Antônio Firmino Vieira de Araújo, que, no ano seguinte, foi removido.

Foi substituído transitoriamente pelo Padre José Soares Machado, de cuja atuação na Paróquia nada se sabe. Em 1921, veio exercer a destacada função religiosa e social de vigário um sacerdote de elevados méritos – o padre José Romão da Rosa Góes que, para logo, conquistou a simpatia e o afeto de seus paroquianos. Teve em 1922 como seu coadjutor o padre José Vita.

A festa da paróquia esteve cerca de quatro anos, sendo sucedido pelo atual e digno sacerdote padre J.B. Monteiro.

Durante a profícua administração do padre Rosa Góes, é que providências seguras foram postas em prática para a radical remodelação da igreja matriz. Em final de agosto de 1924 foi organizado uma comissão para angariar recursos pecuniários.

Dado esse grande passo, não descansou a comissão, à qual se aliaram outras pessoas em prol, enquanto não se atingiu o grandioso objetivo de se dotar a paróquia de um templo compatível com o progresso religioso e social da cidade.

Tendo sido removido, em 1925, o padre Rosa Góes, houve por bem o Revmo. Bispo Diocesano de Taubaté, que era então Dom Epaminondas Nunes de Ávila e Silva, investir nas funções de vigário o padre José Benedito Alves Monteiro, trazendo a alta incumbência de levar por diante a reconstrução da igreja matriz, de modo a dotar a cidade de um templo que estivesse à altura do progresso urbanístico de Caçapava. Tendo sido substituído em 1938 ao se afastar da paróquia, o ilustre sacerdote já deixou completamente edificada a Igreja Matriz, apenas faltando a pintura e as decorações.

Em 1938 foi nomeado para vigário o padre José Maria da Silva Ramos, descendente ilustre de um dos fundadores de Caçapava – o Capitão João Ramos da Silva. Aqui permaneceu por seis anos deixando o cargo em 1944.

Nesse ano reassumiu o padre Monteiro, que prosseguiu no seu objetivo de concluir a reconstrução da Matriz. Conseguiu a realização desse desiderato, e para o contentamento dos seus paroquianos, concluiu a grande obra.

Quando se realizaram, em 1950 as solenidades comemorativas do primeiro centenário da paróquia, já fazia mais cinco anos que ficaram totalmente concluídas as obras de reconstrução da Matriz, graças à incansável dedicação do reverendo vigário Pe. José Benedito Alves Monteiro, que encontrou pleno apoio em todas as classes sociais de Caçapava e, assim, ficou a paróquia dotada de um magnífico templo, digno do progresso material e moral da coletividade.

O centenário que se festejou em 1950, não foi da criação da paróquia mas da transferência de sua sede, que era, desde 1813, na matriz de Caçapava Velha, para a capela de São João Batista, por força da Lei nº 01 de 03 de maio de 1850. A paróquia foi criada pelo Alvará Régio de 18 de março de 1813 e durante 17 anos ali.

Exerceram o paroquiato muitos sacerdotes: José Joaquim da Costa, Higino Rodrigues de Alvarenga, Lourenço Corrêa Leite de Moraes, e por último, Barnabé Teixeira de Andrade, que Santuario (1)foi o último vigário da matriz velha. Pela lei que determinou a transferência, foi mantida a denominação de Freguesia de Nossa Senhora da Ajuda.

Até a expiração do antigo regime político, não foi modificada esta denominação. E depois da separação da Igreja do Estado decorrente da lei de liberdade de cultos (07 de janeiro de 1890), também não se tem conhecimento de ato algum de autoridade eclesiástica competente que tivesse jeito a substituição do nome da padroeira da paróquia de Caçapava para São João Batista. Ainda em 19 de setembro de 1904, assinando o termo de abertura do livro de registros dos títulos do patrimônio, o cônego Antônio Pereira Reimão, Vigário Geral e Provisor do Bispado, menciona “Paróquia de Nossa Senhora da Ajuda de Caçapava”.

Em 29 de maio de 1954 foi criada a paróquia de São Pio X que teria por sede a Igreja de São Benedito, construída em bela situação da Vila Pantaleão. A área da nova paróquia foi destacada da paróquia de Nossa Senhora da Ajuda de Caçapava (ou de São João Batista). A instalação da nova paróquia efetuou-se, com grande solenidade no dia 18 de julho de 1954. Nesse mesmo dia, tomou posse o seu primeiro vigário o reverendo Frei Carlos Maria Varotto.

A nova Igreja foi construída para substituir a velha e venerável capela de São Benedito que por mais de 80 anos, existiu na praça que teve seu nome e atual praça da Bandeira.

O padre José Cantinho de Moura ficou no período de 1954 a 1968, realizando a campanha do novo relógio da matriz de São João Batista.
O monsenhor Theodomiro Lobo foi nomeado em 27 de maio de 1968, vigário da matriz de São João Batista.

O Dia do Padroeiro e feriado municipal é dia 24 de junho.

Festa de Corpus Christi

A festa de Corpus Christi é uma antiga celebração iniciada em 1247.

Famílias Caçapavenses, desde os tempos da vila tinham por tradição enfeitar, tapetes e flores em homenagem a passagem de procissões religiosas.

O Frei Egídio, vigário da paróquia São Benedito, no ano de 1963, em coordenação com o padre José Cantinho de Moura vigário da matriz São João Batista e grupo liberado pela Professora Olívia Alegri, decidiu dar um cunho solene a festa e ornamentar a Rua Capitão Carlos de Moura para a procissão que iniciava na Rua São Benedito, percorria várias ruas e terminava na matriz de São João Batista. Os moradores das outras ruas aderiram com entusiasmo a idéia e todo o trajeto da procissão foi ornamentado.

A Festa de Corpus Christi, a partir de 1975 passou a contar com apoio da administração municipal, e passou a ser atração turística.

Monsenhor Theodomiro Lobo

O Monsenhor Theodomiro Lobo foi ordenado sacerdote em 17 de dezembro de 1938, na Basílica Romana de São Latrão. Regressou em 1939, ao Brasil iniciando sua vida sacerdotal. Reitor, em 1944, no Seminário de Taubaté. Figura enérgica, estimada e respeitada pela sua humildade, cultura, inteligência e dedicação de mais de 60 anos servindo a Deus, dos quais 30 anos à Paróquia São João Batista.

O Monsenhor Theodomiro Lobo tornou-se pároco emérito da matriz de São João Batista, e depois, o pároco foi o Cônego José Eugênio de Faria Santos até meados de 2005.

A religiosidade, a solidariedade, a filantropia e o civismo são traços marcantes e característicos das “Gentes Caçapavenses”, raros de serem encontrados em outras regiões. E Caçapava, em sua evolução histórica, tem revelado estas características exemplares de grandes destaques.

Fonte / http://www.cacapavasite.com.br/cpvhistoria/religiao.php

Igreja N S da Esperança – Santuário Sto Antônio